Redação
O Brasil enfrentou em 2024 o pior cenário de dengue desde o início da série histórica de registros do Ministério da Saúde, em 2000. Entre janeiro e dezembro, foram registrados mais de 6,6 milhões de casos prováveis e 5.987 mortes em decorrência da doença, uma média de 16 óbitos por dia.
O aumento expressivo de casos foi sentido logo no início do ano, com 411 mil registros em janeiro. O número quase triplicou em fevereiro e atingiu o pico em março, com 1,747 milhão de casos. Em maio, o país registrou 1.344 mortes, o maior número em um único mês.
Segundo Rivaldo Cunha, secretário-adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o avanço da doença foi impulsionado por mudanças climáticas e pela falta de retomada integral das ações de controle de endemias após a pandemia de Covid-19. “Em algumas localidades, o trabalho casa a casa dos agentes não retornou ao mesmo padrão de antes, prejudicando o combate ao mosquito”, explicou.
Vacinação contra dengue: um avanço necessário, mas limitado
A vacinação começou em 2024 com a distribuição de doses da Qdenga, imunizante tetravalente da farmacêutica Takeda. No entanto, a cobertura ainda é baixa. Até novembro, apenas 2,7 milhões de doses foram aplicadas das 5,5 milhões recebidas pelo SUS.
A vacina foi incorporada ao calendário do Ministério da Saúde em dezembro de 2023 e direcionada a pessoas entre 4 e 60 anos. Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, o segundo grupo mais hospitalizado, ainda aguardam autorização para receber o imunizante.
Além disso, o Instituto Butantan aguarda aprovação da Anvisa para lançar o Butantan-DV, a primeira vacina contra dengue em dose única, que poderá fornecer até 100 milhões de doses nos próximos três anos.
Estados mais afetados e perfil das vítimas
São Paulo lidera em mortes por dengue, com 2.026 registros, seguido por Minas Gerais (1.113) e Paraná (729). Já o Distrito Federal apresenta a maior incidência de casos: 9.909,5 por 100 mil habitantes.
A faixa etária mais afetada é de jovens entre 20 e 29 anos, que somam 1,2 milhão de casos, enquanto as mulheres representam 55% dos diagnósticos.
Prevenção ainda é o melhor caminho
Especialistas alertam que o combate à dengue exige a retomada das ações de prevenção, como eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e conscientização da população. Além disso, com o verão e as chuvas, a atenção deve ser redobrada.
O recorde de 2024 reforça a necessidade de políticas públicas e do envolvimento de toda a sociedade para evitar que tragédias como essa se repitam.
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